9 de jun de 2013

Google e Facebook: 'não fornecemos dados de usuários para governo dos EUA'

Uma polêmica iniciada pelo jornal The Washington Post parece ter irritado os executivos de Google e Facebook. Segundo a publicação, há um projeto com intenção de “espionar” dados das companhias liderado pela Casa Branca. Mas a informação foi veementemente desmentida pelas empresas.
O projeto, chamado Prism, teria surgido há sete anos, ainda no governo Bush, e teria funcionamento cooperativo entre algumas das principais companhias de tecnologia e Internet do mundo (além de Facebook e Google, Yahoo  Apple também são citadas) – todas garantiriam livre acesso do governo aos dados dos usuários requisitados.

De acordo com James Clapper, diretor da Agência de Inteligência Nacional dos EUA, o Prism realmente existe. Porém, o Google e o Facebook fizeram questão de explicar os pontos polêmicos em torno da história. Mark Zuckerberg, presidente do Facebook, usou seu perfil na própria rede social para falar sobre o assunto.

“O Facebook não é nem nunca foi parte de nenhum programa para dar aos EUA ou a qualquer governo acesso direto aos nossos servidores. Nunca recebemos um pedido abrangente ou uma ordem judicial do governo pedido de informação ou metadados no atacado, como a que a Verizon diz ter recebido. E se recebêssemos, nós lutaríamos agressivamente”, esclareceu.

O Google, por sua vez, publicou um comunicado em seu blog oficial, assinado por David Drummond, diretor jurídico, e pelo diretor executivo, Larry Page. A nota recebeu o título de “What the…” (algo como “O que diabos…”), diz que “é falsa” qualquer informação que diga que o Google fornece dados dos usuários da forma citada.

A companhia destaca ainda que só realiza qualquer tipo de disponibilização de dado dos usuários em casos onde haja necessidade legal e frisa que todos estes são publicados, online, em um relatório de transparência da empresa. “Nunca tínhamos ouvido falar deste Prism até ontem”, revela o comunicado.

“Não se pode ter 100% de privacidade e 100% de segurança”
O Prism funcionaria de forma bem simples: a inteligência norte-americana teria livre acesso aos dados dos usuários dos serviços monitorados em todo o mundo. Cada movimentação suspeita seria classificada como um “informe” e enviada para quem ficasse responsável por investigá-la e dizer se seria uma ameaça real.

Independente da participação de Google ou Facebook no projeto, ao que tudo indica, o que foi divulgado pela imprensa não parece ser 100% mentiroso. O presidente Barack Obama, por exemplo, recentemente declarou que “Não se pode ter 100% de privacidade e 100% de segurança”. Para bom entendedor, meia palavra basta.

Há até quem diga que as negativas de Facebook e Google são apenas para manter um “teatro” de que nada está acontecendo. Mark Atwood, diretor de projetos open-source da HP, por exemplo, disse “não acreditar” na resposta de Mark Zuckeberg à polêmica e diz que Zuck “precisa mentir, porque isso foi estabelecido judicialmente”.

O Washington Post diz que a primeira empresa a ser monitorada foi a Microsoft, em 2007, e desde então vieram o Yahoo, em 2008, Google e Facebook, no ano seguinte, além do YouTube, em 2010, e da Apple, em 2012. O jornal marca até o próximo alvo: Dropbox. A polêmica é grande e resta aguardar para ver quem está falando a verdade.

Fonte: techtudo
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